Muitas das histórias de Luís Ene
apontam precisamente para essa necessidade de busca de sentido que constitui a
vida de quem não se contenta apenas com a quotidianeidade absurda da
existência. Por vezes epigramáticas, são histórias estigmatizadas pelo sentimento
de um absurdo existencial que se manifesta na forma de crime, vingança, fábula,
nonsense. Há, no entanto, algumas variantes: as histórias que focadas sobre
elas mesmas, ou seja, sobre a sua condição de história, sobre a arte de
escrever histórias, ainda que, quando tal acontece, sejamos tentados a entender
nisso um processo irónico que consiste em metamorfosear o homem com a história.
É como se cada homem fosse uma história e cada história fosse, na sua essência,
um fragmento de humanidade.

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